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2026
Viagens a Serviço do Governo Federal — Painel Histórico
R$ 8,67 bilhões gastos de 2022 a 2025 · mais de 3,76 milhões de missões realizadas · análise de gastos, trajetos, ministérios e servidores. Fonte: Portal da Transparência · CGU / SCDP
Este painel consolida os dados de viagens a serviço do governo federal de 2022 a 2026, reunindo gastos totais, evolução histórica, distribuição por tipo de despesa, órgãos pagadores e principais trajetos. Em 2025, foram gastos R$ 2,46 bilhões em viagens — crescimento de 58,5% em relação a 2022, refletindo a retomada plena das atividades pós-pandemia e a expansão da agenda governamental nacional e internacional.
Os dados incluem passagens aéreas, diárias e serviços correlatos pagos a servidores e agentes públicos em missões nacionais e internacionais. Uma fração consistente — cerca de 17% do total a cada ano — tem o órgão solicitante classificado como sigiloso e não é divulgada publicamente.
Desde 2022, entre 16% e 17% do total de gastos com viagens tem o órgão solicitante marcado como "Sigiloso" no Portal da Transparência — sem identificação da origem. Em valores absolutos: R$ 259,9 mi (2022), R$ 374,2 mi (2023), R$ 407,7 mi (2024) e R$ 417,9 mi (2025). Em 2025, o montante sigiloso superou o Ministério da Defesa como segundo maior solicitante de viagens (R$ 327 mi). Essa classificação é prevista em lei para atividades de inteligência e segurança do Estado, mas impede qualquer rastreamento público do destino desses recursos.
Evolução histórica dos gastos com viagens 2022–2026
A transição de governo em janeiro de 2023 veio acompanhada de intensa agenda internacional — COP28, G20, fóruns multilaterais, mais de 200 missões para Washington e Paris apenas em 2023. Ao mesmo tempo, o novo governo reestruturou e criou ministérios, gerando maior volume de deslocamentos internos. O salto de R$ 1,55 bi para R$ 2,29 bi é o maior variação anual registrada no período analisado. Após esse salto, os gastos se estabilizaram com crescimento moderado de 4,2% (2024) e 3,1% (2025).
| Ano | Total gasto | Variação | Missões | Custo/missão | Proporção |
|---|---|---|---|---|---|
| 2022 | R$ 1,550 bi | base | 816.460 | R$ 1.897 | |
| 2023 +47,6% | R$ 2,286 bi | +R$ 737 mi | 1.005.176 | R$ 2.274 | |
| 2024 | R$ 2,383 bi | +R$ 97 mi | 966.076 | R$ 2.466 | |
| 2025 pico | R$ 2,456 bi | +R$ 73 mi | 977.532 | R$ 2.513 | |
| 2026 Jan–Abr | R$ 233,7 mi | parcial | 105.266 | R$ 2.220 |
* Custo/missão calculado com base no total de missões nacionais + internacionais. 2026 = dados parciais. Valores nominais sem ajuste pela inflação.
Nacional vs. Internacional 2022–2025
A parcela internacional recuou de 16,7% (2022) para 11,8% (2025). O valor absoluto também caiu de R$ 327 mi (pico em 2023) para R$ 290 mi em 2025, sugerindo contenção de gastos no exterior enquanto as missões nacionais crescem.
Composição das despesas nacionais diárias vs. passagens
A proporção ~2/3 diárias e ~1/3 passagens é consistente de 2022 a 2025. Isso indica que o custo de manutenção do servidor em campo (hospedagem + alimentação) é estruturalmente maior que o deslocamento. A diária federal varia conforme o destino e o nível hierárquico do servidor.
Gastos por ministério comparativo 2022–2025 · órgão solicitante
O MJuSP abrange Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, SENAPPEN e forças de inteligência — todos com alto volume de operações de campo que exigem deslocamento frequente. A PF sozinha realiza centenas de operações por ano em todo o território nacional, com equipes deslocadas para cidades do interior, fronteiras e zonas de conflito.
O Ministério da Educação passou de R$ 161 mi (2022) para R$ 317 mi (2025) — o maior crescimento relativo entre os ministérios identificados. A expansão reflete mais missões de supervisão de universidades federais e IFETs, além de programas como o Pé-de-Meia que geraram nova demanda de viagens de controle.
O Ministério do Meio Ambiente não aparecia entre os maiores em 2022. A partir de 2023, tornou-se o 4º maior gastador, reflexo direto da agenda climática do governo — COP28, reuniões do IPCC, missões de fiscalização do desmatamento na Amazônia.
Rotas nacionais mais frequentes 2025
| Rota | Qtd. | Valor médio | Maior ticket |
|---|---|---|---|
| Rio de Janeiro → Brasília | 16.986 | R$ 1.440 | R$ 7.090 |
| Brasília → Rio de Janeiro | 16.973 | R$ 1.419 | R$ 7.090 |
| São Paulo → Brasília | 14.654 | R$ 1.028 | R$ 5.536 |
| Brasília → São Paulo | 14.631 | R$ 1.015 | R$ 5.890 |
| Belém → Brasília | 5.482 | R$ 1.935 | R$ 6.347 |
| Brasília → Porto Alegre | 4.863 | R$ 1.731 | R$ 6.039 |
| Brasília → Recife | 4.787 | R$ 1.514 | R$ 5.440 |
O corredor Brasília–Rio de Janeiro concentra ~34 mil viagens/ano em 2024 e 2025. Isso reflete a presença de grandes estatais federais no Rio (Petrobras, BNDES), além do Tribunal Regional Federal e órgãos do sistema financeiro. O ticket médio nessa rota cresceu de R$ 1.338 (2022) para R$ 1.635 (2024), recuando para R$ 1.440 em 2025.
Rotas internacionais mais frequentes 2025
| Rota | Qtd. | Valor médio | Maior ticket |
|---|---|---|---|
| Brasília → Washington | 230 | R$ 6.006 | R$ 85.466 |
| Brasília → Paris | 218 | R$ 6.979 | R$ 43.739 |
| Brasília → Lisboa | 205 | R$ 7.161 | R$ 35.173 |
| Brasília → Genebra | 197 | R$ 7.016 | R$ 34.213 |
| Brasília → Buenos Aires | 207 | R$ 2.183 | R$ 7.181 |
| Washington → Brasília | 181 | R$ 4.725 | R$ 24.507 |
EUA, França, Portugal e Suíça concentram a maior parte das missões internacionais por 4 anos seguidos. Genebra aparece pelo volume de reuniões na ONU, OMC e OMS. Buenos Aires é o destino mais acessível (média R$ 2.183 vs. R$ 7.161 para Lisboa). Em 2026, a rota Brasília–Nova Deli chamou atenção: 27 viagens com valor médio de R$ 18.027 por passagem e o maior ticket registrado: R$ 56.678.
Antecedência na compra de passagens planejamento vs. custo
A antecedência média na compra de passagens varia drasticamente entre órgãos — e isso tem impacto direto no custo. No trecho Brasília–Rio de Janeiro em 2025, a passagem mais cara registrada foi R$ 7.090 e a média ficou em R$ 1.440. Passagens compradas de última hora podem custar 3x a 5x mais do que as adquiridas com 30 a 60 dias.
Gabinete da Vice-Presidência (3 dias em 2025), Presidência da República (8 dias), Ministério das Mulheres (7 dias) e ministérios criados no atual governo figuram entre os que compram com menor antecedência — potencialmente pagando prêmio significativo em relação aos preços médios. A causa provável é agenda mais volátil e imprevisível nesses gabinetes.
Consistentemente, as instituições com maior antecedência são universidades federais e IFETs. Em 2026: UFT Mineiro (84 dias), UnB (63 dias), UFJ (53 dias). Em 2025: IF-RS (47 dias), UFU (44 dias). O calendário acadêmico previsível e a gestão orçamentária estruturada permitem planejar viagens com meses de antecedência, gerando economia real nas passagens.
| Órgão | Antecedência | Ano |
|---|---|---|
| Gabinete da Vice-Presidência | 3 dias | 2025 |
| Min. das Mulheres | 3 dias | 2023 |
| Presidência da República | 8 dias | 2025 |
| UFT Mineiro (maior anteced.) | 84 dias | 2026 |
| UnB | 63 dias | 2026 |
| Autoridade Nac. Proteção de Dados | 57 dias | 2023 |
Maiores gastadores com viagens internacionais 2023–2025
O Ministro das Relações Exteriores lidera o ranking de viagens internacionais em 2023 (R$ 1.322.010) e 2024 (R$ 800.379), somando mais de R$ 2,85 milhões em missões no exterior. Em 2025, caiu para 3º lugar (R$ 728.015). Essa é uma das funções mais exigentes em deslocamento no governo — o Ministro das Relações Exteriores representa o Brasil em cúpulas, reuniões bilaterais e fóruns multilaterais ao redor do mundo, frequentemente com múltiplos destinos em uma única missão.
| Servidor | 2023 | 2024 | 2025 |
|---|---|---|---|
| MAURO LUIZ IECKER VIEIRA Chanceler | R$ 1.322.010 | R$ 800.379 | R$ 728.015 |
| LUIS RENATO DE ALCANTARA RUA | — | — | R$ 871.372 |
| ROBERTO SERRONI PEROSA | R$ 941.212 | R$ 713.715 | — |
| ANDRE ARANHA CORREA DO LAGO | R$ 489.822 | R$ 623.268 | R$ 832.164 |
| TATIANA ROSITO | R$ 760.395 | — | R$ 580.228 |
| CELSO LUIZ NUNES AMORIM Assessor especial de defesa | — | R$ 715.877 | — |
| CARLOS SERGIO SOBRAL DUARTE | R$ 444.746 | R$ 672.856 | — |
* "—" = não figurou no top 10 do ano. Apenas viagens internacionais. Valores nominais.
Distribuição das missões por estado 2025 — top 10 destinos
Em 2025, São Paulo recebeu 95.161 missões (9,73%) e o DF 85.483 (8,74%) — juntos, 18,5% do total. São Paulo lidera pela concentração de sedes empresariais, órgãos reguladores e infraestrutura de transporte. O DF, sendo a capital federal, é destino obrigatório de missões de coordenação interministerial. O Pará aparece em 4º lugar (5,51%) — reflexo do foco do governo federal na Amazônia e na agenda ambiental.
| Estado | Missões (2025) | % | Missões (2024) | Barra |
|---|---|---|---|---|
| São Paulo | 95.161 | 9,73% | 99.644 | |
| Distrito Federal | 85.483 | 8,74% | 80.203 | |
| Minas Gerais | 62.932 | 6,43% | 58.774 | |
| Pará | 53.953 | 5,51% | 45.610 | |
| Paraná | 53.817 | 5,50% | 55.462 | |
| Rio de Janeiro | 49.360 | 5,04% | 52.600 | |
| Rio Grande do Sul | 47.383 | 4,84% | 52.571 | |
| Bahia | 42.420 | 4,33% | 40.705 | |
| Pernambuco | 40.830 | 4,17% | 40.119 | |
| Goiás | 33.952 | 3,47% | 32.488 | |
| Demais estados + Exterior | 411.974 | 42,1% | — |